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Observatório IBI / Análise quantitativa

O custo silencioso da rodovia

Quanto o Brasil paga, todos os anos, por escoar carga em caminhão onde caberia ferrovia. Análise comparativa de dois corredores em concessão prevista para 2026.

R$ 0
Acumulado em 2026
Sobrecusto rodoviário consolidado — Ferrogrão (cenário base 2026) + EF-118 (cenário base 2026)
Por segundo
R$ 106
Metodologia

O sobrecusto rodoviário é a diferença entre o frete pago hoje em caminhão e o frete que seria pago em ferrovia, multiplicada pelo volume migrado. A análise considera sazonalidade, perna rodoviária residual e captura modal parcial.

O que esta análise não é

Não é um EVTEA. Não calcula TIR, VPL ou viabilidade financeira do empreendimento. Mede apenas o sobrecusto logístico pago pela sociedade enquanto a ferrovia não opera.

CORREDOR I
01

Ferrogrão

EF-170 · Sinop (MT) → Miritituba (PA) · 993 km

Corredor monocarga (soja + milho) substituindo a BR-163. O frete rodoviário é hoje a maior fonte de sobrecusto logístico do agronegócio brasileiro.

Volume capturável 2026
26,0 Mt
do total da BR-163
Sobrecusto anual base
R$ 2,96 bi
ano de 2026
Diferencial unitário
R$ 114/t
frete rod. − custo ferr.
Capacidade nominal
66 Mt
em maturidade (2050)
Painel interativo · ajuste as premissas
Volume capturável 2026
Toda a carga MT → Arco Norte que poderia migrar
26,0 Mt
Frete rodoviário em pico de safra
Soja Fev-Abr + milho Jul-Set (60% do volume)
R$ 300/t
Captura modal efetiva
% da carga que efetivamente migra para a ferrovia
100%
Perna rodoviária residual
Distância fazenda → terminal ferroviário
150 km
Sobrecusto anual por cenário
Base
Estressado
Pessimista
Os três cenários compartilham a mesma estrutura de premissas: o estressado eleva o frete em pico (R$ 330/t) e o pessimista dobra a perna residual (200 km).
CORREDOR II
02

EF-118

Anel Ferroviário do Sudeste · Vitória (ES) → Açu / Rio de Janeiro (RJ) · 575 km

Corredor multicarga porto-a-porto. Ao contrário da Ferrogrão, depende do mix industrial do Sudeste — particularmente do projeto HBI da Ternium no Açu — e tem fragilidade estrutural na perna rodoviária residual.

Volume capturável 2026
10,0 Mt
parte do mix industrial
Sobrecusto anual base
R$ 378 mi
ano de 2026
Diferencial ponderado
R$ 38/t
volume-weighted
Capacidade nominal
24 Mt
em maturidade (2050)
Painel interativo · ajuste as premissas
Volume capturável 2026
Inclui agrícola, contêiner, carvão, HBI
10,0 Mt
Captura modal efetiva
% do mix que efetivamente migra
100%
Multiplicador do frete rodoviário
Cenário estressado: gargalo BR-101 ou alta combustível
1,10x
Multiplicador da perna residual
Cenário pessimista: terminais limitados
2,0x
Sobrecusto anual por cenário
Base
Estressado
Pessimista
Achado crítico: o cenário pessimista revela que a EF-118 é estruturalmente sensível à perna rodoviária. Quando os terminais são insuficientes (perna 200 km), o diferencial colapsa para ~R$ 14/t — a tese da Findes/Coinfra (NT 001-2025) sobre o Ramal Anchieta encontra base quantitativa aqui.
Comparação metodológica

Mesma régua, dois corredores

A análise sob metodologia idêntica revela que os dois corredores entregam ordens de grandeza distintas de sobrecusto evitado. A Ferrogrão concentra ganho monetário; a EF-118 distribui ganhos menores entre múltiplos fluxos com perfis de risco também distintos.

IndicadorFerrogrão (EF-170)EF-118
Extensão (km)993 km575 km
Capex projetadoR$ 27,7 bi (ISA)R$ 6,6 bi
Capacidade nominal66 Mt/ano24 Mt/ano
Tipo de cargaMonocarga (soja + milho)Multicarga (8 segmentos)
Volume capturável 202626 Mt10 Mt
Diferencial unitário baseR$ 114/tR$ 38/t
Sobrecusto 2026 baseR$ 2,96 biR$ 378 mi
Sobrecusto 2026 estressadoR$ 3,43 biR$ 471 mi
Sobrecusto 2026 pessimistaR$ 2,66 biR$ 140 mi
Sensibilidade à perna residualModerada (10% do diferencial)Alta (60% do diferencial)
Status do leilãoSet/2026, condicionado a STFJun/2026, projeto no TCU

Implicação Ferrogrão

Sobrecusto anual concentrado, com sensibilidade moderada a premissas de captura. O caso econômico para a sociedade é robusto: até no pessimista, o sobrecusto evitável supera R$ 2 bi/ano. A controvérsia migra para o domínio socioambiental — não para o econômico-logístico.

Implicação EF-118

Sobrecusto anual distribuído, com fragilidade estrutural à perna residual. A defesa pública não pode se sustentar exclusivamente em ganho de frete — o argumento decisivo é indução de investimento industrial e capacidade portuária. O Ramal Anchieta é variável crítica.